Se você está desesperado, torrando metade do seu orçamento de marketing tentando descobrir como aparecer no ChatGPT, prepare-se para levar um belo choque de realidade.
De acordo com um novo estudo de mercado publicado pela SparkToro, a jornada de busca do seu cliente expandiu, e você provavelmente está deixando dinheiro na mesa ao ignorar os outros gigantes da internet.
Direto ao Ponto:
- O Google domina “apenas” 73,7% das buscas em desktop nos EUA, bem abaixo dos 90% que o mercado adora repetir.
- Amazon, Bing e YouTube recebem um volume de pesquisas reais muito maior do que o tão hypado ChatGPT.
- Nas ferramentas de IA, volume de tráfego é pura vaidade: apenas metade dos visitantes do ChatGPT realmente digita um prompt.
- Cerca de 80% das buscas ainda ocorrem em motores tradicionais, enquanto o e-commerce já abocanha 10% do bolo.
- O novo significado da sigla SEO é Search Everywhere Optimization: otimizar para onde a sua audiência realmente está.
Tópicos
A ilusão do monopólio: O Google é rei, mas o reinado diminuiu
Sempre ouvimos que o Google detinha mais de 90% do mercado de buscas. Mas a galera da SparkToro, junto com a Datos (uma empresa da Semrush), resolveu chutar o balde e analisar 41 domínios de peso durante todo o ano de 2025 em milhões de computadores.
Quando você coloca gigantes como Amazon, Reddit e Instagram na mesma arena para medir comportamento de busca, a fatia do Google cai para 73,7% nos EUA (e cerca de 80% na Europa).


Eles inclusive perderam 3,5 pontos de participação ao longo do ano frente a outros concorrentes. O Google ainda é o dono da bola, mas já tem muita gente jogando em outros campos.

O banho de água fria no hype da Inteligência Artificial
Se você entrar no LinkedIn agora, vai achar que o ChatGPT engoliu a internet. Os dados dizem o contrário. Em volume de pesquisa no desktop (onde as IAs deveriam reinar), o ChatGPT perde feio para sites onde os marqueteiros têm preguiça de atuar: Amazon, Bing e YouTube.

Se dividirmos as buscas por categoria, a IA representa apenas 3,2% de tudo o que é pesquisado. Quer um choque de realidade maior? O próprio Google, com seus AI Overviews (Resumos de IA) aparecendo em 16% dos resultados, é, de longe, a maior ferramenta de inteligência artificial do planeta.
Tráfego de vitrine: Visitar não é pesquisar
Lembra quando falei na minha consultoria que fujo de métricas de vaidade? Esse estudo esfregou isso na cara do mercado.

Quase 100% das pessoas que abrem o Google fazem uma pesquisa. No DuckDuckGo e na Amazon, a taxa passa dos 70%. Mas no ChatGPT e no eBay, o número despenca para a casa dos 50%.
O motivo? Muita gente entra no ChatGPT só para ler um chat que alguém compartilhou no WhatsApp, ou abre o eBay só para ver o status de um pedido. Usar “visitas mensais” para medir o sucesso das IAs é o mesmo que contar quantas pessoas passaram na frente da sua loja e achar que todas compraram.
A Nova Era do SEO (Search Everywhere Optimization)
A grande lição que tiramos dessa pesquisa é que “buscar” é um comportamento humano, não um canal específico. A Wikipedia está caindo porque o Google manda menos cliques para lá. O Instagram ressuscitou e virou uma potência de buscas no computador. O Threads dobrou o número de pesquisas por usuário em um ano.

Se você quer dominar a internet, precisa parar de pensar apenas em ranquear no buscador tradicional. É hora de aplicar a engenharia de busca em e-commerces, plataformas de vídeo e redes sociais. Se a sua audiência está lá pesquisando, é lá que a sua marca precisa aparecer.
Por que isso importa?
Olhar para gráficos bonitos é legal, mas o que a gente faz com eles na segunda-feira de manhã é o que paga os boletos. O estudo do Rand Fishkin não é apenas uma curiosidade do mercado; é um mapa de onde o dinheiro está mudando de mãos.
Aqui estão as reflexões práticas de como esses números devem impactar as suas decisões de SEO a partir de agora:
- Parem as máquinas do “Desespero IA”: Metade do LinkedIn está em pânico tentando desvendar “como ranquear no ChatGPT”. Os dados mostram que a IA representa apenas 3,2% do bolo de pesquisas e que 50% dos visitantes do ChatGPT nem sequer digitam uma pergunta lá. Vale a pena gastar toda a energia da sua equipe nisso agora? Não. A maior inteligência artificial do mundo já está embutida no próprio Google (os AI Overviews). Focar em construir autoridade tópica real e E-E-A-T continua sendo a melhor blindagem.
- Diversificação de Risco (Ou: não coloque todos os ovos na cesta do Google): O Google perdeu 3,5 pontos de mercado. Parece pouco, mas em volume de internet, são bilhões de buscas. Se o seu e-commerce só foca no Google e ignora a otimização de busca dentro da Amazon ou do YouTube, você está, literalmente, deixando a concorrência nadar de braçada com clientes que já estão com o cartão de crédito na mão.
- O fim das “Visitas” como Métrica de Sucesso: Esse estudo prova matematicamente o que eu vivo repetindo na consultoria: visita não é intenção. Um site pode ter milhões de acessos (como o eBay ou o próprio ChatGPT), mas se o usuário não usa a barra de pesquisa, a sua estratégia de palavras-chave lá dentro não serve de nada. Precisamos focar em plataformas onde o usuário tem intenção ativa de busca.
- O Novo Funil é Fragmentado: O seu cliente pode descobrir a sua marca no TikTok, pesquisar como o seu produto funciona no YouTube, ler um review no Reddit e só então ir ao Google para achar o seu site e comprar. Otimizar para a “Busca em Todo Lugar” (Search Everywhere Optimization) significa garantir que a sua marca seja a resposta certa, não importa em qual site o cliente faça a pergunta.
Para fechar a conta
Se você trabalha com marketing digital e ainda não acompanha o Rand Fishkin, está fazendo isso errado. O cara é simplesmente uma lenda viva do SEO (foi o fundador da Moz e hoje comanda a SparkToro) e a mente por trás de todo esse estudo que acabamos de destrinchar.
Enquanto a internet está cheia de “gurus” vendendo hacks mágicos que não se sustentam, o Rand é um dos poucos que entrega dados cruéis, reais e que mudam o jogo de verdade. Vale a pena seguir o trabalho dele de perto para não ficar para trás.
Nota de Transparência e Dados:
Os dados apresentados no relatório da Sparktoro foram fornecidos pela Datos, uma empresa da Semrush. A análise baseia-se nos painéis da Datos nos EUA e na UE/Reino Unido, representando uma amostra diversificada e estatisticamente significativa de usuários, e abrange o período de (01/01/2025 a 31/12/2025). Para mais informações, acesse o site da Datos e consulte sua Política de Privacidade.